Talvez esse seja meu ponto de partida de uma longa e gostosa viagem. Após sair de 18 horas de plantão, já sabendo o que me aguardava em casa, decidi optar pela parte mais gostosa que seria a grande recepção de Clorolice. Antes de sair de casa a mesma tinha ficado com uma gastroenterite que me rendeu horas limpando a casa no dia anterior, preocupado e atarefado resolvi levá-la no veterinário assim que saísse de todos os plantões que por escala estava. A parte mais interessante dessa pequena parte da linha da vida é que enquanto dirigia para casa imaginei toda a cena de destruição, me imaginei horas limpando coco por tudo quanto era lado, cansado como estava, gritando aos quatro ventos e reclamando de tudo aquilo, tão cheio de cansaço, trabalho e fadiga, que nem perceberia o quão feliz ela estaria em me ver. Perceber isso me fez mudar a forma como eu chegaria em casa e aproveitaria aqueles poucos minutos de um surto de felicidade não se compararia a qualquer outra coisa, a casa a gente limpa quando a alma já estivesse lambida e afagada por todo aquele carinho e amor da recepção de quem o ama. É assim sucedeu, isso me fez querer encarar a vida assim, quando pensar em um ambiente de muito estresse e atritos, tentar chegar nele sempre olhando a parte boa, gostosa e animada e aproveitar o melhor que tem a oferecer e depois o restante se torna mais leve e até quase imperceptível de se ver. Clorolice certamente tem me ensinado a ser melhor, a aprender e lidar com meus próprios sentimentos e confusões, a descobrir e perceber coisas que nem sabia que já estavam aqui.